segunda-feira, 13 de junho de 2011

Curso de Museologia

Estão abertas as inscrições para o 2º Curso Básico e Teórico de Museologia e Museografia, coordenado pelos competentes biólogos e museólogos Pedro Antonio Federsoni Junior e Silvana Campos da Rocha Calixto.

O curso, gratuito, será nos dias 04, 07 e 08 de julho, e aceita inscrições até o dia 1º, ou até que se preencham as vagas, num total de 40. As aulas serão no Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo (Av. Dr. Arnaldo, 355, no auditório do 2º andar do Edifício Central), a 150 metros da estação Clínicas do metrô.

Inscrições e informações adicionais pelos e-mails pfedersoni@gmail.com e scalixto11@gmail.com, ou pelos telefones (11) 3068-2854/2855.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Legumes suspeitos

Não concordo com a máxima de que uma imagem (sempre) vale por mil palavras. Mas de vez em quando isso acontece, ainda mais quando as palavras reforçam as incertezas. É o que vem acontecendo no noticiário referente à contaminação pela E. coli na Europa.

Para mim, até o momento ninguém soube expressar melhor o que vem acontecendo do que o caricaturista Leo Martins, na edição de ontem do Estadão. Vejam e digam se concordam ou não comigo:

segunda-feira, 6 de junho de 2011

De imagens e falácias

O Dia do Meio Ambiente (ontem, 05 de junho) não passou em branco nos dois grandes jornais paulistanos. E, talvez por ter sido domingo, foi celebrado na forma de vultosos cadernos especiais. Não li todos os textos, mas, daquilo que pude apreciar, vi muito mais coisas boas do que ruins – e, dentre estas, nada que tenha julgado grave, jornalisticamente.

O que mais me chamou a atenção, contudo, foram as fotos. O que prova que a divulgação da ciência não precisa necessariamente de textos para acontecer. Uma foto, não raro, pode impactar de tal forma a mente – e por que não a alma – de uma pessoa, que ela talvez nunca mais se esqueça de uma ideia, de um conceito, e atrelado a uma boa dose de sensibilidade.

No especialPlaneta: Sustentabilidade & Meio Ambiente”, de O Estado de S. Paulo, meu destaque é para a imagem – de cortar o coração – de um pequeno tamanduá em agonia, tentando se proteger do fogo, feita por ninguém menos que Araquém Alcântara. “Ele parecia dizer: ‘Quem é você, o que pode fazer por mim?’” – relata o renomado fotógrafo.

no “Especial Ambiente”, da Folha de S.Paulo, a foto que mais me chamou a atenção foi a de um serelepe macaquinho arrastando um saco de lixo no Horto Florestal da capital paulista, de autoria de Marlene Bergamo, da Folhapress. Ainda que um tanto preocupante, por conta da presença indevida do plástico no meio ambiente, contrasta com a do tamanduá por seu toque de humormesmo que isso fique apenas na imagem, e não na realidade que ela transmite.

Também me saltou aos olhos a grande presença de anúncios publicitários. É algo que tem sido muito comum em datas comemorativas como a de ontem, mas é preciso estar atento às falácias do recente discurso da sustentabilidade. Há quem o use de forma legítima e bem intencionada, é verdade, mas nãopara engolir, por exemplo, que uma construtora que vem contribuindo com a destruição de quarteirões inteiros, descaracterizando bairros e erguendo prédios a rodo em São Paulo, venha se arrogar a condição de sustentável (só se for para si mesma), ou, então, de promotora da sustentabilidade!

Broncas à parte, reproduzo abaixo as fotos que mencionei. Elas, sim, valem a pena.

Brasil: país surreal

Primeiro foram os erros de concordância tidos como aceitáveis em livro didático de língua portuguesa (“Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado”). Tudo bem (ou nem tudo), até concordo que se deva combater o chamado “preconceito linguístico”, e enxergar inclusive alguma poesia e sabedoria na fala popular, como não raros músicos e poetas o fizeram. Eu, por exemplo, adoro o “viajemo muitos dia pra chegar em Ouro Fino” da bela “Chico Mineiro”, de Tonico e Tinoco. Mas colocar isso num livro didático é querer confundir a cabeça de nossas crianças, ainda em tenra formação intelectual e linguística.

O pior, porém, estava por vir. “10 - 7 = 4”, revelaram os jornais no último sábado. E não foi um único erro: havia outros, do tipo “16 - 8 = 6”, em mais um livro usado em escolas públicas de nosso país. Ainda que a matemática tenha avançado muito, com o desenvolvimento de inúmeras teorias, muitas delas sofisticadíssimas, não creio que haja algum universo paralelo em que 10 menos 7 resulte em 4. Algum matemático me contesta?

não digo que foi a notícia mais espantosa do fim de semana porque também soube no sábado que, em Ibaretama, interior do Ceará, vereadores registraram atos de corrupção em cartório! Pois é, e com texto no seguinte teor: “Fica o Sr. [Fulano] na responsabilidade de repassar para os quatro vereadores da situação a quantia de R$ 4.500,00”.

O Brasil é lindo, encantador, mas prova cada vez mais ser um país surreal. Acontecem coisas que, imagino, nem mesmo Guimarães Rosa e Dias Gomes juntos ousariam conceber.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Código da discórdia

Muito se comentou sobre o Código Florestal, e praticamente nada, confesso, tenho a acrescentar. Mas não me custa colaborar com o debate, ainda que seja reproduzindo opiniões ou textos de terceirosaté porque, sem dúvida, haverá aqueles que não os leram nas publicações e momentos originais.

Não encontrava, porém, nada que valesse a pena postar neste blog, até que anteontem, 30 de maio, me deparei com o editorialImpasse na floresta”, da Folha de S.Paulo, que a meu ver resume muito bem o embate que vem se travando em torno do Código, em discussão no Congresso Nacional, e realça a importância da nova lei.

Como o site da Folha é aberto apenas a assinantes, republico o editorial abaixo. Também aproveito para postar, logo após o texto do jornal, o link para o livro publicado pela SBPC, em parceria com a Academia Brasileira de Ciências.


Impasse na floresta

O país se encontra diante de um impasse: o que fazer com o novo Código Florestal aprovado na Câmara dos Deputados. Se for mantido como está no Senado Federal, o Planalto promete amplos vetos, o que arrisca devolver a controvérsia à estaca zero.

Seria péssimo. Primeiro, porque frustraria a expectativa de milhares de produtores rurais, que se consideram injustiçados pela legislação atual. Em alguns casos, afinal, ela os obriga a imobilizar mais de 80% da terra.

Segundo, seria lamentável porque o Congresso terá desperdiçado oportunidade única de produzir uma lei moderna, amparada no melhor conhecimento objetivo. Nãooutro meio de conciliar a pujança agrícola com a florestal, duas vocações brasileiras.

É grave, a respeito, a queixa apresentada ao Congresso pelas duas principais associações nacionais de pesquisa, ABC (Academia Brasileira de Ciências) e SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). Elas reclamam que nunca houve convite oficial do Parlamento para que os representantes da comunidade científica participassem das discussões sobre o substitutivo do código.

Por seu lado, o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), relator do texto aprovado com emenda do PMDB, acusa ABC e SBPC de omissão. Diz que a SBPC se negou a comparecer à comissão especial que debateu o tema. Alega, ainda, que parte dos pesquisadores são financiados por umlobby ambientalistainternacional.

Na realidade, não existe consenso definitivo sobre a legislação nem mesmo entre cientistas. Mas é digno de nota que as duas sociedades tenham logrado formar um grupo de trabalho para debruçar-se sobre o estado da arte da pesquisa agrícola e ambiental. Dele resultou o livro “O Código Florestal e a Ciência - Contribuições para o Diálogo”, lançado em março.

Parece irracional que tal contribuição não seja levada em conta. Mesmo que tenha um viés conservacionista, como apontam os defensores do novo código, o trabalho merece ser apreciado – e, por que não, escrutinado – com um mínimo de atenção no Senado.

Chegou a hora de pôr um ponto final nesse diálogo de surdos em que se transformou o debate do código. Ou a decisão final se baseia em conhecimento objetivo, ou o país sairá perdendo, em produto agrícola ou biodiversidade.

É excessivo, contudo, o adiamento de dois anos proposto pelas sociedades científicas. O Brasil precisa resolver a questão no prazo máximo de um ano, antes que se realize a conferência internacional Rio+20, em junho de 2012.

Link para o livro da ABC e SBPC: http://www.abc.org.br/IMG/pdf/doc-547.pdf.